Ajuda de vizinho e torneio em shopping: Fabi revisita origens no vôlei até chegar ao Hall da Fama
Correção · 18/10/2026, 13:39
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Bicampeã olímpica e nova integrante do Hall da Fama, Fabi Alvim iniciou sua trajetória no vôlei aos 12 anos, jogando em uma quadra de condomínio em Irajá.
Após se destacar no Flamengo, a atleta migrou para a posição de líbero em 1998, função que moldou sua carreira vitoriosa e sua visão de vida.

De um condomínio em Irajá, bairro cortado pela Avenida Brasil, no Rio, saiu a maior líbero que o mundo viu. Do conjunto de mais de 30 prédios de quatro andares, em que a parte com apartamentos com três quartos é chamada de "zona sul" e os que têm dois de "zona norte", Fabiana Alvim de Oliveira jogou vôlei pela primeira vez na vida. Sob a vista da mãe, Vera, a menina de 12 anos se aventurou na quadra de cimento, cercada por grades, que era o ponto de encontro da turma do esporte. Era a única garota em meio a um grupo de jovens, mais velhos, que costumava praticar o esporte ali. Ao lado, jogava futebol.
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- Meu pai trabalhava o dia inteiro, era taxista. Minha mãe era manicure, trabalhava em casa. Eu gostava muito da rua, gostava muito de estar aqui nessa quadra - relembra Fabi, bicampeã olímpica e nova integrante do Hall da Fama do vôlei, agraciada em cerimônia neste sábado em Holyoke, nos Estados Unidos. - De fato, era só a minha mãe esticar o pescoço do apartamento e ver que eu estava na quadra. Esse lugar (Irajá) é muito familiar para mim. Gostava muito de bola, e o vôlei, depois das Olimpíadas de 1992, foi um boom. Não tinha menina aqui, eu ficava sentada na arquibancada. Uma hora ia chegar minha vez de jogar - completa a ex-moradora do apartamento 301 do bloco 30.
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De início, ficava apenas assistindo e anotando o placar na quadra de Irajá. Até o dia em que Marcelo da Silva, seu ex-vizinho que ainda mora no condomínio, hoje um engenheiro civil de 59 anos, deu a primeira chance.
- Ela, com 11, 12 anos, ninguém queria jogar com ela. Eu disse: a Fabi vai jogar comigo. Deixava o restante para tirar o sorteio entre eles, e ela jogava comigo. A gente jogava dupla aqui - conta Marcelo Negão, assim por causa dos 12 Marcelos que havia no grupo do vôlei - Quando eu via a Fabi jogando na TV, fazendo cobertura, defendendo bola com os pés, eu falava: Isso aí é Irajá - diz ele, que jogava no Tijuca na época.
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Da brincadeira na quadra do Parque Novo de Irajá ao Grêmio Recreativo de Vista Alegre, bairro vizinho, foi um salto. No clube, foi inscrita para jogar um torneio de quartetos no estacionamento de um shopping em Madureira.
- A gente tinha um campeonato lá no shopping. E eu apitava o torneio masculino lá. Quando eu cheguei segunda-feira, ela tinha jogado no final de semana um torneio feminino de adultos. Aí o pessoal falou: Pô, teve uma menina novinha que jogou no meio dos adultos e arrebentou. E aí eu fui atrás do professor dela. Eu trabalhava aqui na base do Flamengo - conta o técnico Marcos Redivo, que levou Fabi para o mirim no clube da Gávea. - Marquei com o professor dela, para vir fazer um teste aqui no Flamengo. Na mesma hora, ela foi aprovada. Quando chegou, por incrível que pareça, ela foi central. Aquela altura toda foi central, mas ela saltava muito, tinha habilidade no ataque e aí começou a vida dela jogando central. Depois foi fazendo as transições pelas posições até chegar à posição de líbero.
Nessa época, ainda não havia a posição de líbero, criada em 1998, quando Fabi tinha 18 anos. No dia do teste no mirim (atletas sub-14) no Flamengo, Harry Bollmann comandava o treino feminino - era o preparador físico da equipe, mas assumiu outra função com a ausência do então técnico por questões pessoais. Fabi, ao fim da prática, saltou junto à rede e tocou o alto da antena, algo que nenhuma menina daquele grupo fazia. Hoje supervisor do Sesc-Flamengo, Harry, na mesma hora, disse para Fabi acertar seu vínculo com o clube.