Sport e Náutico puxam a fila do endividamento na Série B; confira os números
No painel da Anresf, o Sport aparece com cerca de R$ 422 milhões em dívidas e o Náutico com aproximadamente R$ 292 milhões, com os dois pernambucanos também devendo obrigações vencidas.

Dois pernambucanos ocupam o topo da lista de endividados da Série B. O Sport é o primeiro; o Náutico vem logo atrás. Os números são da Anresf, agência responsável por aplicar o fair play financeiro no futebol brasileiro, e mostram duas agremiações em aperto para fechar as contas.
O estudo leva em conta os balanços de 2025. O Leão surge com cerca de R$ 422 milhões em dívidas, contra aproximadamente R$ 292 milhões do Timbu. Além do passivo acumulado, ambos declararam obrigações vencidas e ainda não quitadas na apuração de junho de 2026.
No caso do Sport, o balanço detalhado publicado pela imprensa local aponta R$ 324 milhões ao fim de 2025. A distância para os R$ 422 milhões do painel mais amplo vem, entre outros fatores, da inclusão de cerca de R$ 99 milhões em receitas recebidas de forma antecipada no cálculo do passivo.
O perfil da dívida preocupa. Dos R$ 324 milhões, R$ 184 milhões venciam em até doze meses — algo como 57% do total. Para honrar essa fatia, o clube dispunha de perto de R$ 35 milhões em caixa de curto prazo, o equivalente a 19% das obrigações do período.
Entre os compromissos do Rubro-negro estavam R$ 130 milhões em dívidas trabalhistas, tributos e parcelamentos, mais R$ 84 milhões devidos a fornecedores. O relatório ainda lista provisões para ações na Justiça, débitos de transferências de jogadores e compromissos com partes relacionadas.
O Sport está em recuperação judicial desde 2023. Seu plano coletivo de credores está na CNRD, a Câmara Nacional de Resolução de Disputas. Declarou ainda débitos vencidos com jogadores, empregados, rivais e órgãos públicos — parte do que está sob mecanismos de renegociação não entra na conta de atrasos do painel.
O Náutico é o segundo da lista, com cerca de R$ 292 milhões. O balanço minucioso aponta perto de R$ 291 milhões em obrigações diante de R$ 147 milhões em bens e direitos. A conta fecha negativa: patrimônio líquido de menos R$ 145 milhões, já considerando as receitas antecipadas. Ou seja, as obrigações superam o que o Alvirrubro tem a receber.
No Timbu, a maior parte do passivo é de longo prazo: R$ 260 milhões vencem depois de doze meses, enquanto R$ 30 milhões são de curto prazo. Para as obrigações imediatas, havia aproximadamente R$ 3,5 milhões disponíveis.
As provisões para ações judiciais somavam cerca de R$ 260 milhões, perto de 90% do passivo do balanço. Também constam dívidas trabalhistas, tributos, empréstimos, débitos com fornecedores e compromissos ligados a transferências.
Como o rival, o Náutico também está em recuperação judicial desde 2023, com plano de credores na CNRD, e declarou débitos vencidos com jogadores, empregados, adversários e o setor público.
O painel da Anresf separa dois conceitos. A dívida total inclui o que ainda não venceu, enquanto os atrasos medem o que estava sem pagamento na data de referência.
Há ainda uma regra de transição para débitos anteriores a 2026. Do fim de novembro em diante, essas obrigações serão submetidas às normas do regulamento — e a regularização das pendências será observada de perto no caso dos dois pernambucanos.
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