Camillo chama 2026 de ano de transição e quer a WTA à frente dos próprios torneios
No podcast de Andy Roddick, a presidente da WTA admitiu a necessidade de enxugar despesas e defendeu que a entidade organize e explore comercialmente os próprios torneios.

Foi no podcast de Andy Roddick, o Served, que a presidente da WTA, Valerie Camillo, falou sobre a saúde financeira do circuito feminino. Na conversa, admitiu a necessidade de enxugar despesas e disse acreditar na recuperação da entidade.
“Acredito que 2026 seja um ano de transição para a WTA. Estamos concentrados na disciplina financeira, algo que considero muito importante. Também não é segredo que transferimos o Finals deste ano em um prazo curto, assumimos diretamente a organização do torneio e estamos cobrindo a premiação. Isso não estava previsto”, explicou.
O dado que embasa a preocupação veio a público em setembro: as projeções indicavam caixa de apenas US$ 15 milhões ao fim de 2026 e prejuízo operacional de US$ 23 milhões. Mantido aquele cenário, as reservas da entidade entrariam no vermelho no segundo semestre de 2027.
Boa parte da conta, segundo Camillo, nasce da transferência do Finals: ele saiu de Riad, na Arábia Saudita, e foi para Indian Wells, nos Estados Unidos. “Se tivéssemos de mudar o Finals todos os anos, indefinidamente, teríamos problemas. Mas, quando as pessoas falam da situação financeira, estão olhando para um retrato de determinado momento”, afirmou.
O modelo de negócio dos torneios também está na mira. Hoje a maior parte dos contratos assegura à entidade valores fixos, sem relação com o desempenho comercial do evento. A ideia é entrar na organização e faturar com a exploração comercial. “Os acordos de licenciamento são fixos: você recebe um cheque e pronto. O que estamos construindo tem um potencial de crescimento sem limites”, garantiu a executiva.
O projeto que carrega essa aposta é o Finals de Charlotte, na Carolina do Norte, sede a partir de 2027. O torneio terá, além das partidas, atividades para os torcedores e eventos paralelos. A referência para ampliar público e atrair patrocinadores são os grandes acontecimentos esportivos dos Estados Unidos, o Super Bowl entre eles.
Um acerto já saiu: até 2029, a Fage, empresa de laticínios, será a patrocinadora principal do Finals. A parceria começa já nesta temporada, na edição de 8 a 15 de novembro, em Indian Wells. O contrato com a marca foi fechado três semanas após a apresentação do projeto de Charlotte, intervalo que, conforme a dirigente, surpreendeu.
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