Estatuto do Remo prevê regras para SAF, salários a dirigentes e eleições mais duras
O Estatuto Social de 2026 do Remo cria regras para uma eventual SAF, libera a remuneração de dirigentes, endurece exigências eleitorais e amplia benefícios aos sócios.

O Clube do Remo prepara uma reformulação ampla de seu regulamento interno. As mudanças estão no Estatuto Social de 2026, que moderniza regras e endurece exigências na comparação com a versão de 2021, com quatro frentes principais: regulamentação de uma eventual Sociedade Anônima de Futebol (SAF), remuneração de dirigentes e gestores, novas normas eleitorais e benefícios inéditos ao quadro de sócios.
Criar a SAF passa a depender de aprovação prévia de duas instâncias — o CODIR (Conselho Diretor) e o CONDEL (Conselho Deliberativo) — e, depois, do aval dos sócios em AGE, a Assembleia Geral Extraordinária, com quóruns próprios de instalação e de deliberação. O texto fixa quarentena de 6 anos: nenhum dirigente do clube pode assumir cargo remunerado ou não na nova empresa. Também blinda o patrimônio histórico e social, que não pode ser transferido para a entidade.
Eleições: a votação continua de 3 em 3 anos, no segundo domingo de novembro. Para disputar a Presidência da Assembleia Geral ou do CODIR, o sócio precisa ter 10 anos ininterruptos de quadro associativo, em qualquer das categorias Benemérito, Grande Benemérito, Remido ou Proprietário — em 2021, bastavam 6 anos. Quem termina o mandato como Presidente ou Vice de um Poder fica impedido de disputar os mesmos cargos em outro Poder na eleição seguinte. Já para entrar no CONDEL como eleito, a chapa tem de alcançar 2% dos votos válidos.
Transição: o estatuto cria formalmente um período que começa na proclamação do resultado e vai até o último dia de novembro. A gestão em exercício fica obrigada a montar uma comissão mista e a repassar à nova diretoria todos os documentos financeiros, fiscais e os contratos.
Remuneração: a versão de 2021 proibia expressamente qualquer pagamento por funções de fiscalização, orientação, execução e planejamento. O texto de 2026 libera a remuneração dessas atividades, desde que aprovada no orçamento.
Conselho Fiscal: candidatos ao CONFIS passam a precisar de formação superior ou de ao menos 3 anos de experiência técnica ou profissional em Economia, Direito, Administração, Ciências Contábeis ou Auditoria. O órgão ganha atribuição de controle prévio e terá de emitir parecer sobre obras e reformas acima de R$ 500 mil e sobre contratos institucionais fora do futebol que ultrapassem o mesmo valor.
Sócios: o atraso que custa ao proprietário o título definitivo passou de 12 meses para 2 anos, ou 24 meses. A notificação prévia de 30 dias continua exigida. Quem está em dia recebe 50% de abatimento nos ingressos de partidas com o Remo como mandante, respeitado o teto de 3% da carga disponibilizada, além de desconto mínimo de 10% nos produtos oficiais e até 10 convites por mês para as dependências.
Faltas: o conselheiro eleito perde o mandato automaticamente se faltar sem justificativa a 2 sessões seguidas, ou 3 intercaladas no mesmo ano — antes, o teto era de 3 seguidas ou 5 intercaladas.
Identidade: o Remo Olímpico aparece como modalidade fundadora e integrante do patrimônio esportivo do clube. O mascote Leão Malino ganha proteção oficial contra mau uso ou uso político, e o terceiro uniforme fica proibido de trazer listras verticais.
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