Consórcio do Maracanã soma prejuízo acima de R$ 300 mil após Vasco x Boca e vai cobrar
O Consórcio Fla-Flu fechou em mais de R$ 300 mil o prejuízo deixado por Vasco x Boca Juniors no Maracanã, com 489 assentos danificados, e anunciou que vai cobrar o ressarcimento integral.

O Consórcio Fla-Flu, que administra o Maracanã, fechou em mais de R$ 300 mil o prejuízo deixado pelo duelo de terça-feira (20) entre Vasco e Boca Juniors, válido pela semifinal da Sul-Americana, e avisou que vai atrás do dinheiro. O balanço foi apresentado nesta quinta-feira (22).
O levantamento consumiu dois dias e ainda não terminou: a administração segue contabilizando estragos na sinalização e na pintura, sobretudo por adesivos colados nas dependências. O prejuízo final pode superar a estimativa.
Os estragos também pesaram na preparação para Flamengo x Estudiantes, a outra semifinal, desta vez da Libertadores, também marcada para esta quinta-feira (22). A manutenção foi mobilizada, mas o intervalo entre os jogos não permitiu concluir todos os reparos.
O balanço da Fla-Flu Serviços detalha o que a vistoria encontrou em arquibancadas, banheiros e áreas de circulação: 489 assentos foram danificados, 47 deles no setor da torcida do Boca Juniors.
Sinalização e pintura também sofreram danos, ainda em processo de quantificação. Em comunicado, a Fla-Flu Serviços afirmou que vai pedir o ressarcimento integral dos prejuízos — o que pode abrir mais uma frente de atrito com o Vasco, clube com o qual a administração do Maracanã já travou disputa na Justiça.
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) avalia que a concessionária precisa registrar boletim de ocorrência, identificar e documentar cada dano e cobrar do Vasco o que prevê o contrato. O parecer foi publicado nesta quarta-feira (21) pelo Grupo de Atuação Especializada no Desporto e Defesa do Torcedor (GAEDEST/MPRJ), que também citou a possibilidade de responsabilização criminal dos identificados como autores do vandalismo.
Cobrança, porém, não significa veto. Segundo a administração, o Vasco não está impedido de usar o Maracanã de novo; novas cessões seguem possíveis se cumpridas as condições técnicas do contrato.
A corrida contra o tempo foi o outro capítulo. Com todos os ingressos esgotados e mais de 70 mil torcedores esperados, a missão era devolver condições operacionais ao estádio em cerca de 48 horas. A manutenção trabalhou durante a madrugada, mas a empresa reconheceu, no novo comunicado, que não concluiu todos os serviços — reafirmando o compromisso de entregar o estádio em condições adequadas.
O pano de fundo é uma longa batalha judicial sobre o palco da semifinal da Sul-Americana. O Vasco queria o Maracanã porque São Januário não atingiria a exigência da Conmebol de 30 mil espectadores de capacidade mínima naquela fase. A concessionária controlada por Flamengo e Fluminense foi contra a liberação, citando a preservação do gramado e o calendário. O Ministério Público apontou o estádio como a alternativa mais adequada em segurança pública, mobilidade urbana, infraestrutura e logística, e manteve o entendimento de que a escolha era correta, com operação de segurança considerada satisfatória para mais de 66 mil pessoas.
O confronto reuniu 66.026 torcedores, 61.885 deles pagantes, e rendeu R$ 6.962.208,50 de receita bruta, conforme a Itatiaia. O prejuízo de R$ 300 mil equivale a cerca de 4,3% desse total.
Enquanto isso, o imbróglio pode voltar à pauta: Vasco e Flamengo discutem o local do clássico do Campeonato Brasileiro de 29 de outubro. O Vasco estuda alternativas ao Maracanã para o mando de campo, entre elas o Estádio Nilton Santos, e o Flamengo entende que o rival pode escolher outra arena, desde que respeite as exigências de segurança e o regulamento.
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