Vasco usa contrato assinado na gestão de Textor para tentar levar o clássico ao Nilton Santos
O Vasco quer mandar o clássico com o Flamengo no Nilton Santos, pela 33ª rodada, e pediu formalmente ao Botafogo o uso do estádio, que a CBF ainda não oficializou.

O Vasco encontrou no papel a arma que faltava para tentar tirar do Maracanã o clássico contra o Flamengo. Um contrato assinado pelos presidentes Pedrinho e John Textor, na época em que o empresário comandava a SAF do Botafogo, garante ao clube o direito de usar o Nilton Santos até 2028, e o jurídico vascaíno já pediu formalmente ao Botafogo para mandar a partida de quinta-feira (29), pela 33ª rodada do Brasileirão, no estádio. A CBF, porém, ainda não oficializou a mudança.
O documento, batizado Contrato de Permissão de Uso do Estádio e Outras Avenças, teve a existência revelada pelo Lance. A ideia da diretoria é mandar o jogo em casa sem precisar reabrir conversa com o consórcio que administra o Maracanã, no meio do desgaste com Flamengo e Fluminense pelo uso do estádio.
Para o Vasco, a atual administração da SAF botafoguense não teria como barrar a cessão de forma unilateral, já que as obrigações foram assumidas antes. Um e-mail de confirmação bastaria para formalizar a liberação, porque as condições comerciais estão no contrato.
O Botafogo também ganha: além do aluguel fixo, fica com a receita de alimentos e bebidas vendidos no estádio durante o confronto.
A tentativa nasceu do atrito com o consórcio Fla-Flu Serviços. O Vasco sustenta que Flamengo e Fluminense desrespeitaram compromissos anteriores e cita as dificuldades para usar o Maracanã em jogos contra Vitória, Santa Fe e Boca Juniors.
Já em 2025, os três clubes assinaram um memorando que previa clássicos cariocas no Maracanã até o final de 2026 e abria ao Vasco quatro partidas extras por temporada. O impasse surgiu porque a assinatura da Fla-Flu Serviços não constava no texto: a empresa passou a contestar a validade do acordo e a negar o estádio, até o caso parar na Justiça, na semifinal da Copa Sul-Americana. Depois de uma longa batalha, o Vasco obteve autorização.
O contrato com o Botafogo resolve só parte do problema. O Flamengo resiste à transferência e lembra que o Maracanã foi a opção mais segura na disputa judicial recente com o Boca Juniors. A Polícia Militar e o Ministério Público do Rio de Janeiro também foram informados da intenção vascaína; os órgãos podem recomendar a permanência no Maracanã, mas não havia parecer definitivo.
Jogar no Engenhão não seria novidade. Em setembro de 2023, o Vasco recebeu o Fluminense no estádio do Botafogo, pela 23ª rodada do Brasileirão, e venceu por 4 a 2, com 33.818 pagantes. A arrecadação bruta foi de R$ 2.089.046, e o lucro líquido, de cerca de R$ 642 mil, depois de despesas perto de R$ 1,5 milhão. Ao Botafogo, o Vasco pagou R$ 220 mil de aluguel, R$ 30 mil a menos do que se cobrava, na época, pelo Maracanã, segundo o GE.
Em novembro de 2025, negociação em curso para o Nilton Santos previa R$ 250 mil por partida.
A partida está prevista para quinta-feira (29), às 20h de Brasília, pela 33ª rodada, e o estádio ainda aparece como indefinido na tabela de credenciamento da CBF. Um detalhe pode reacender a discussão: o Fluminense enfrenta o Internacional no Maracanã em 28 de outubro, um dia antes, e o intervalo curto entre os jogos alimenta o debate sobre a preservação do gramado.
Dentro de campo, o Vasco precisa reagir. Eliminado pelo Boca Juniors na Sul-Americana, o time é o 15º colocado, soma 35 pontos e luta para sair da zona de rebaixamento. Antes do clássico, recebe o Corinthians no sábado (24), às 18h30, em São Januário. O Atlético-MG é o adversário do Flamengo na segunda-feira (26), às 20h, no Maracanã.
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