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03/11/2026 · Edição BrasilPTEN
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Corinthians tem 15 dias para pôr o RCE em dia e evitar novo bloqueio de contas

Intimado pelo Ministério Público de São Paulo, o Corinthians tem 15 dias para regularizar cerca de R$ 10 milhões em atrasos do RCE e evitar novo bloqueio de contas bancárias.

Por RedaçãoPublicado: 22/10/2026, 22:21

O Corinthians foi intimado nesta quinta-feira, 22, a regularizar os pagamentos atrasados do Regime Centralizado de Execuções (RCE). O prazo é de 15 dias, contados a partir da última terça-feira, 20, e a cobrança partiu do Ministério Público de São Paulo (MP-SP). Se as pendências não forem resolvidas, o clube volta a correr o risco de ter contas bancárias bloqueadas. A soma em aberto chega a aproximadamente R$ 10 milhões.

Por meio de uma nota, o Corinthians afirmou que "mantém diálogo com os agentes envolvidos e adotará as medidas necessárias para preservar o RCE". O clube acrescentou que "segue trabalhando em diferentes frentes para reorganizar seu fluxo de caixa, reduzir seu endividamento e criar condições para o cumprimento sustentável de seus compromissos".

O atraso tem duas origens. Uma é o saldo remanescente de R$ 2,4 milhões da parcela de julho de 2026, paga com atraso e só parcialmente, em 58,33%. A segunda é a parcela de agosto de 2026, de R$ 7,6 milhões, que não foi depositada. O caso está na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais, no Foro Central Cível da capital paulista.

A administradora judicial Laspro Consultores Ltda. relatou ao juízo outras falhas do clube. As competências de agosto e setembro de 2026 seguem sem documentos e demonstrativos contábeis, e a lista de pagamentos do site oficial está desatualizada desde junho. A empresa classificou como "gravidade" o quadro da prestação de contas e sugeriu intimar o clube a entregar o que falta em cinco dias.

Já a fiscalização, junto com o MP-SP, aponta irregularidades na contabilidade do plano. Entre os itens listados estão R$ 26.034.838,02 de dedução não comprovada atribuída à Caixa Econômica Federal. Outro item é o valor de R$ 38.092.456,80 confessado com o FIDC Daycoval, além de conversão indevida de contingência ilíquida e de abatimento no fundo de reserva. A Nike aparece por causa da reclassificação de R$ 32,77 milhões: o valor entrou como operação financeira, e não como patrocínio. Já os depósitos judiciais feitos pelo Banco do Brasil não trazem o número do processo nem a vara.

Credores têm mandado petições ao MP e à administradora pedindo o encerramento imediato do plano e a liberação das penhoras. A agência de André Cury, a Link, e a Pix Star — dona da marca Pixbet e ex-patrocinadora do Corinthians — também aparecem entre os que querem a impugnação.

A condução do caso, porém, tem sido cautelosa. Apesar do aviso formal, os dois órgãos querem manter a suspensão das execuções individuais por enquanto, para que as atividades do clube não entrem em colapso desordenado.

A perda da proteção está prevista na Lei nº 14.193/2021, em seu artigo 23. Sem a blindagem patrimonial, as execuções seriam retomadas de imediato, com reativação dos bloqueios de contas e das eventuais penhoras. A Justiça paulista já tinha avisado o clube, em março deste ano, de que uma intervenção judicial poderia ser cogitada se aparecessem novas "inconsistências de receitas" nos papéis entregues pela diretoria no âmbito do RCE.

O RCE é o instrumento jurídico que o Corinthians usa para reunir os processos em uma única vara e parcelar dívidas cíveis e trabalhistas que somam cerca de R$ 200 milhões. Na prática, ele suspende bloqueios de contas e permite pagar credores de forma ordenada com a receita do clube, dentro de um plano de reestruturação financeira.

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