Centenário, Verón e 1968: as coincidências que rondam a decisão entre Estudiantes e Palmeiras
A final entre Estudiantes e Palmeiras volta ao Centenário, palco do título argentino de 1968, quando Verón marcou nos três jogos da decisão contra o Verdão.

O Centenário, em Montevidéu, volta a ser cenário de uma decisão entre Palmeiras e Estudiantes. Em 1968, foi naquele estádio uruguaio que o clube de La Plata conquistou o primeiro de seus quatro títulos da Libertadores, no terceiro jogo da final. Em 2026, o reencontro está marcado: a vaga argentina saiu na quinta-feira (22), nos pênaltis, sobre o Flamengo, atual campeão, no Maracanã, depois de dois 0 a 0 na semifinal. O goleiro Fernando Muslera brilhou.
As semelhanças, no entanto, não se limitam ao endereço. O grande nome do Estudiantes naquele time era Juan Ramón Verón, o La Bruja, pai de Juan Sebastián Verón, o La Brujita, também ídolo em La Plata e hoje presidente do clube.
La Bruja morreu em 2025, aos 81 anos, e balançou a rede nos três jogos daquela decisão: 2 a 1 em La Plata, 3 a 1 para o Verdão em São Paulo e 2 a 0 em Montevidéu. O regulamento da época previa duas partidas e um desempate em campo neutro, se fosse necessário.
O pai do atual presidente ainda ganharia a Libertadores de 1969 e de 1970. O filho seria o herói do tetra de 2009, diante do Cruzeiro.
No primeiro jogo, em 2 de maio, em La Plata, o Palmeiras saiu na frente com Servílio, aos 29 minutos, e sustentou a vantagem até os instantes finais. A virada argentina veio com Verón, aos 38, e Flores, aos 42.
Em 7 de maio, no Pacaembu, o time brasileiro venceu por 3 a 1. Tupãzinho marcou duas vezes (aos 5 e aos 43 do primeiro tempo), Verón descontou aos 36 e Rinaldo fez o último, de pênalti, aos 34 da segunda etapa — dez minutos depois de ter perdido outra cobrança.
O desempate, no Centenário, terminou 2 a 0 para os argentinos: Ribaudo abriu aos 12 do primeiro tempo e Verón fechou aos 36 do segundo. O peruano César Orozco foi o árbitro, com os auxiliares Esteban Marino, uruguaio, e Domingos Massaro, chileno.
Do lado paulista, Ademir da Guia e Dudu armavam o meio-campo, com Valdir no gol, Ferrari na defesa e Tupãzinho no ataque. O Estudiantes se apoiava em Malbernat, Pachamé e Billardo, além de Ribaudo e Verón na frente.
Naquele mesmo ano, o clube ainda venceria o Mundial Interclubes sobre o Manchester United, campeão europeu, e faturaria a Libertadores nas duas temporadas seguintes. Hoje, ocupa um espaço discreto no futebol argentino.
Uma dúvida de leitor, publicada em outubro de 1974, na edição 238, ajuda a medir o peso daquela derrota. Manoel Martinez, de Loanda (PR), perguntava: “Como foi que o Palmeiras perdeu o título da Libertadores de 68 para o Estudiantes de La Plata?”
A resposta retrospectiva confirma o tamanho do tropeço. O time brasileiro venceu o segundo jogo e liderou boa parte do primeiro, mas sucumbiu no duelo decisivo, justamente no estádio que agora recebe a nova final.
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