Tite volta ao Beira-Rio: a rejeição por 'ser gremista' que quase barrou sua chegada em 2008
Tite reencontra o Inter no Beira-Rio neste sábado, agora no banco do Botafogo, 18 anos depois de chegar ao clube vencendo a resistência do então presidente por seu passado no Grêmio.

O Beira-Rio vai rever neste sábado, às 16h30, um treinador que ajudou a tirar o Inter de uma zona de rebaixamento. Tite estará no banco do Botafogo, adversário do Colorado na luta contra a queda no Brasileirão, e a visita reacende uma história de 18 anos.
A chegada dele, em 2008, não foi pacífica. Abel Braga havia acabado de sair rumo ao Al-Jazira, dos Emirados Árabes, e o Inter precisava de substituto. O escolhido assumiu com ressalvas, após vencer a resistência do então presidente Vitorio Piffero, incomodado com o passado do treinador no Grêmio.
Nos bastidores também não havia consenso. O vice de futebol à época, Giovanni Luigi, preferia Tite; Fernando Carvalho, ex-presidente ainda influente, se entusiasmava com o nome. A resistência vinha de cima, e o motivo era Tite “ser gremista”, o histórico no Grêmio, onde foi campeão da Copa do Brasil de 2001.
– O Tite tinha vários bons trabalhos. Nós o acompanhávamos. Quando houve a saída do Abel, ele era o meu nome preferido. Tinha uma pequena rejeição de algumas pessoas, mas o Tite sempre foi um grande profissional – contemporiza Luigi.
O time estava na zona de rebaixamento, em 17º lugar, com quatro pontos em cinco jogos. A reunião decisiva teve a participação de Carvalho: Tite mostrou conhecimento do elenco e convenceu os dirigentes de que reunia condições de liderar a retomada. Piffero cedeu, e Carvalho voltou como assessor de futebol.
– Achei que ele seria um grande nome. Havia a restrição, a vinculação ao Grêmio, mas isso não existe – recorda Carvalho.
A estreia, coincidentemente, foi diante do Botafogo: 2 a 1 para o Inter, em casa, com gols de Edinho e de Adriano e um de Alessandro. O alívio veio junto com uma notícia ruim no mesmo dia — a venda de Fernandão ao Al-Gharafa, do Catar, exatos quatro anos depois de o camisa 9 acertar com o Inter.
Sem Fernandão, Tite recebeu D'Alessandro. Na conquista da Sul-Americana, o argentino, Alex e Nilmar puxaram o setor ofensivo, apoiados por um quarteto de zagueiros.
A base se manteve em 2009, mesmo com a saída de Alex rumo ao Spartak Moscou, e o Gauchão terminou com um 8 a 1 no Caxias. No total, foram 109 partidas, 58 vitórias, 24 empates e 27 derrotas, com os títulos da Sul-Americana de 2008, da Copa Suruga e do Gauchão de 2009.
Depois vieram os vices da Copa do Brasil e da Recopa, a oscilação no Brasileirão e a demissão, ainda no meio de um desentendimento com D'Alessandro. A diretoria trouxe Mário Sérgio, e o time fechou a competição na segunda colocação.
Em 2015-16, já eleito presidente, Piffero queria Tite de volta — quem resistira em 2008 agora o via como opção ideal. O treinador preferiu o Corinthians e o clube acertou com Diego Aguirre.
Na temporada passada, depois que o time se salvou da queda com Abel Braga, Tite foi procurado de novo. Abriu uma exceção para ajudar, sem intenção de seguir como treinador, e ficou como diretor técnico. Na nova função, chamou Tite para substituí-lo; o treinador escolheu o Cruzeiro, onde foi demitido em março.
Agora, 18 anos depois de estrear justamente contra o Botafogo, ele reencontra o Colorado do outro lado. Ao time gaúcho, só a vitória interessa para seguir sonhando com a permanência na Série A.
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