Inter de Limeira sobe à Série B antes de a SAF de Ronaldo assumir o clube
A Inter de Limeira garantiu o acesso à Série B do Brasileirão de 2027, 35 anos depois de deixar a segunda divisão nacional, com dois acessos seguidos antes de a SAF de Ronaldo, Roberto Carlos e um príncipe saudita assumir o clube. A SAF ficou com 80% do clube e a nova gestão estreia no ano que vem.

O plano previa cinco anos para chegar à Série B do Brasileirão, mas o clube andou mais rápido. Em 2025 a Inter de Limeira deixou a Série D rumo à Série C; em 2027 disputará a Série B, 35 anos depois de sair da segunda divisão nacional. À frente do projeto estão Ronaldo, Roberto Carlos e um príncipe saudita.
São dois acessos seguidos, e o segundo veio justamente na temporada que antecedeu a troca de comando, na despedida do modelo antigo.
A arrancada surpreendeu o próprio clube. A meta na Série C era se firmar no terceiro nível depois de uma sequência de eliminações frustrantes na Série D, e o discurso seguia sendo de pés no chão.
“O pensamento era de tentar permanecer na Série C. Estava assustado no começo do campeonato. Acho que até por isso que começou a dar certo, nós começamos muito humildes [...] A gente não queria iludir o torcedor”, disse Danilo Maluf, presidente da Inter de Limeira.
O calendário atrapalhou e depois ajudou. Boa parte do grupo que havia subido foi mantida, mas a Série A2 do Paulistão se esticou, os reforços demoraram a chegar e o time caiu ainda na primeira fase. A eliminação precoce, porém, abriu espaço para uma reformulação antes da Série C, com investimento um pouco maior e a chegada do técnico Matheus Costa, que indicou jogadores acostumados àquela divisão.
“A Série A2 esticou muito no calendário e entrou quase dentro da Série C. O desempenho ruim na A2, sem classificação, acabou sendo bom porque tivemos tempo de parar e fazer uma reformulação geral na equipe”, contou Maluf.
A mudança de rota na aplicação dos recursos limitados começou em 2022. Até ali, a cota do Paulistão era gasta no próprio Paulistão, e o time que entrava depois era mais participativo do que competitivo; a partir dali, o clube passou a mirar a ascensão nacional, começando pela Série D. O preço apareceu no estadual: a Inter caiu para a segunda divisão em 2025 e não subiu em 2026. No Brasileirão, vieram os dois acessos.
“Arrisquei fazer o inverso. Disputei uma Série D de 2025, após cair no Paulistão, com R$ 5 milhões em caixa. Na minha cabeça, se não subisse ali, não subia mais. Deu certo”, afirmou o presidente.
Fora de campo, um reforço não jogou nenhum minuto. Ricardo Borin, ex-jogador do clube, foi contratado no começo da Série C para reforçar a comissão técnica como coach mental, com foco em performance dentro de campo — a forma de reagir a situações de jogo.
“Foi um trabalho de performance mental, não necessariamente de saúde mental. O atleta, para conseguir ter êxito no trabalho, precisa estar com a sua mente saudável”, disse Borin.
Na Série C, a Inter fechou a primeira fase em sexto lugar, com 30 pontos. No quadrangular, terminou na segunda posição da chave, atrás da Ferroviária, e selou o acesso. O atacante Miguel Bianconi, ex-Palmeiras, anotou 10 gols e foi o destaque ofensivo da equipe.
A SAF foi formalizada nesta semana: Ronaldo e Roberto Carlos assinaram, ao lado do príncipe Abdullah bin Saad bin Abdulaziz Al Saud, os documentos finais. Enrico Ambrogini, que já havia trabalhado com Ronaldo no Cruzeiro e dirigiu a Inter, também participa do negócio. A SAF ficou com 80% do clube, e a fatia restante, de 20%, continua em mãos ligadas à Inter de Limeira.
A nova gestão assume de imediato, mas só estreia em partida oficial no ano que vem, com dois compromissos no calendário: a Série B do Brasileirão e a Série A2 do Paulistão.
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