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03/11/2026 · Edição BrasilPTEN
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Aos 50 anos, Lenísio leva lições do futsal para a nova carreira

Aos 50 anos, o ex-pivô Lenísio, campeão mundial de futsal em 2008, começou há dois meses uma nova carreira no mercado imobiliário em Uberlândia, assessorando construtoras no lançamento de empreendimentos. Ele diz levar para o novo trabalho a lógica de análise da quadra, com planilhas e números que antes eram anotados à mão.

Por RedaçãoPublicado: 23/10/2026, 19:56

Lenísio chegou aos 50 anos disposto a recomeçar. Há dois meses, o ex-pivô da seleção brasileira de futsal trabalha no mercado imobiliário em Uberlândia, assessorando construtoras no lançamento de empreendimentos. A virada nasceu de um convite de amigos e do empurrão da mulher, Andrea, e exigiu curso e certificação antes da primeira reunião com clientes.

A rotina mudou; o raciocínio, diz ele, continua o de dentro da quadra.

“Eu vivi 20 anos da minha vida só no futsal, me dediquei muito, renunciei muitas coisas para estar no futsal, e eu acredito que essas experiências são importantes”, afirma.

Do esporte veio também o hábito de medir tudo: planilhas e números, hoje corriqueiros nas incorporadoras, o acompanham desde quando o futsal tratava dados como intuição.

“Na época, era muito empírico, era caneta e papel. Muitas vezes, eu fazia análise ali comigo mesmo, de alguns dados, algumas informações. Mas era muito manual, não era tecnológico como é hoje”, lembra.

Observar o goleiro e o tempo de cada decisão era o que lhe rendia segundos preciosos; hoje, o mesmo repertório serve para antecipar o que o cliente vai pedir. Ele gostaria que a análise de dados tivesse, nos clubes, o peso da preparação física.

“Se eu pudesse escolher um sonho para o futsal, é que as pessoas olhassem para essa área com um pouco mais de carinho, um pouco mais de amor, e que fosse tão importante como é a parte da preparação física, a parte técnica com os treinadores, a parte de gestão, a parte psicológica, a parte nutricional”, destaca.

Natural de Cuiabá, cresceu entre Presidente Prudente, Uberlândia e Araçatuba, seguindo o trabalho do pai. O futebol de campo o seduzia, mas o dinamismo da quadra venceu.

O nome apareceu no fim dos anos 1990, no Atlético-MG que reunia Falcão e Manoel Tobias. Em 2000, terminou a Liga Nacional como artilheiro, com 50 gols, e despertou o interesse do time de campo do Galo, então comandado por Carlos Alberto Parreira. Foram três meses ao lado de Marques, Guilherme e Veloso antes de voltar às quadras.

A escolha rendeu: cinco vezes goleador máximo da Liga Nacional e, na Espanha, Murcia e Cartagena, onde foi artilheiro e eleito o melhor jogador do campeonato em três temporadas.

O ponto mais alto tem data e endereço: 2008, no Rio de Janeiro. Ao lado do irmão mais novo, Vinícius, capitão da seleção, e de nomes como Falcão, Schumacher e Tiago, Lenísio foi campeão mundial. A final contra a Espanha terminou nos pênaltis, depois do 2 a 2 no tempo regulamentar, no Maracanãzinho.

“Eu tive esse privilégio de me tornar campeão mundial com o meu irmão. Com certeza, é o momento mais especial da minha vida”, diz.

As quadras ficaram para trás em 2012, aos 36 anos, após duas cirurgias no joelho e um problema de cartilagem que virou artrose. Formado em Educação Física, com pós-graduação em treinamento de futsal, passou pelas comissões técnicas de Jaraguá e de Corinthians e, em 2026, foi analista de desempenho no Uberlândia Esporte Clube, no campo.

“Eu não me arrependo de nada. A gente tem que tomar as decisões quando tem que tomar. Olhando para trás, não me faltou nada com relação a títulos, conquistas. Os sonhos que eu tinha, eu consegui realizar”, garante.

A paixão chegou aos filhos: Vini Lanza joga futsal na Europa, seguindo o caminho do pai, e Letícia cursa design gráfico e atua no audiovisual com foco em esportes.

Aos 50, ele diz que a meta mudou: quer saúde, ser útil e servir de exemplo aos filhos como pessoa, não apenas como atleta.

Perguntas frequentes

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