Campeões do Fight do Milhão contam o que fizeram com os R$ 500 mil
Os primeiros campeões do Fight do Milhão contam como usaram os R$ 500 mil de cada um: Marcelo Medeiros cumpriu uma promessa, terminou a casa do pai e investiu; Leidiane Fernandes quitou dívidas e comprou um carro para os treinos. O título não trouxe patrocínio.

Antes de o Fight do Milhão conhecer neste sábado, em São Paulo, os campeões da temporada 2026, os primeiros a erguer os títulos de Rei e Rainha da Selva contaram como usaram os R$ 500 mil de cada um.
Marcelo Medeiros, campeão dos leves (até 70kg) em 2025, e Leidiane Fernandes, campeã dos moscas (até 57kg), falaram sobre o primeiro gasto, o reconhecimento, o que esperam dos finalistas deste ano e os próximos passos.
Medeiros, que eliminou Bruno Sarrada, Carlos Mistoca e Arcângelo Anjo, começou cumprindo uma promessa: “A primeira coisa que fiz foi cumprir a promessa para a mãe do Arcângelo. Quando caiu, já mandei mensagem e peguei pix dela. Depois, peguei um rapaz para terminar a casa do meu pai, que tinha prometido a ele. Peguei minha família e fui para Porto de Galinhas, fiquei uma semana descansando. Eu já tinha a mentalidade de investidor, e investi tão bem que toda essa grana que distribuí já recuperei de volta.”
Leidiane chegou ao título de forma improvável: perdeu para Yasmin Guimarães na primeira rodada, voltou como repescada quando Layze Cerqueira furou o corte de peso da semifinal, venceu a revanche com Yasmin e bateu Brena Cardozo na decisão. O dinheiro foi para dívidas e estrutura: “A primeira coisa que fiz foi quitar as dívidas. Ainda estou me organizando para ver minha casa, vendo um lugar melhor e próximo do treino. E fui ver um carrinho para me ajudar nos treinos. Você estar todo dia no ponto esperando o ônibus, aquela correria, mas ter um carrinho fica até mais rápido e você consegue ter um pouco mais de descanso. Comprei materiais que estavam faltando, suplementação, consegui dar uma respirada muito grande.”
O título não trouxe o que os dois mais precisavam: patrocínio. Medeiros diz que recusou propostas que não queria associar à sua imagem, mesmo sendo financeiramente melhores, e lembra o que ouviu: “Não, você divulga, ganha uma parte, vai pagar um fixo pra você.” Os apoiadores que surgiram foram de material e suplemento. Leidiane, que trabalha como segurança numa refinaria no Rio, desabafou: “Um evento tão grande como o Jungle Fight, uma visibilidade incrível, e não consegui patrocínio ainda. A galera fala ‘é um bom dinheiro’, mas acaba. O atleta de alto nível é caro, é suplemento, é boa alimentação, nutricionista, psicólogo.”
Perto de completar 41 anos, Medeiros vê na própria trajetória uma motivação para outras pessoas. “Percebo que muitos me têm como referência. Com 40 anos você meteu as caras, você é referência. Nesse fim de semana fui tomar um caldo de cana e o cara não quis cobrar: ‘você é o campeão do Fight do Milhão, vamos tirar uma foto’.”
Leidiane destacou como o evento mudou a forma como o bairro a enxerga. “Pessoas que nem gostam de luta tiraram um pouquinho do tempo para assistir. Até a galera do meu bairro que me conhecia de vista viu que eu era daqui. Sempre falo que essa luta do Jungle foi o dia mais importante da minha vida.”
Aos finalistas de 2026 — Ernane Pimenta x Fabrício Bakai no meio-médio (até 77kg) e Nágila Goku x Bianca Sattelmayer no palha (até 52kg) — os dois deixaram recados de respeito e foco. “Quero parabenizar os quatro por estarem na final. Para ter chegado não foi fácil, é perda de peso, sparring, sofrimento”, disse Medeiros, que apostou em Nágila.
Depois do título, Leidiane operou a mão direita e, em abril, estreou no Oktagon em disputa de cinturão, sendo nocauteada no terceiro round por Lucia Szabová; passou por nova cirurgia, agora no ombro, e está em fase final de recuperação. Medeiros voltou em março e venceu Carlos Mistoca, com a luta paralisada por ordem médica no terceiro round, e tem combate marcado para 28 de novembro.
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