Uma falha no código do Chelsea entrega a noite ao Spurs
O Chelsea estava em 0 a 0 aos 76 minutos quando uma falha do seu treinador de bola parada abriu o jogo: Austin MacPhee acenou para os próprios jogadores saírem da área no escanteio, a bola caiu na zona vazia e entrou nas costas de Penders; aos 87, Mathys Tel fechou a vitória do Spurs.

Aos 76 minutos em Stamford Bridge, com o placar ainda em 0 a 0, a tarde tinha o gosto de subir uma escada rolante no sentido errado.
O escanteio do Tottenham pela esquerda chegou num jogo que parecia um treino prolongado: dois times arrumando a casa, sal, desincrustante, resmungando com talheres no lugar errado.
Então veio a falha que abriu o jogo. O treinador de bola parada do Chelsea, Austin MacPhee, comandava o trânsito da beira do campo como sempre — só que desta vez acenava para os próprios jogadores saírem da área. Para o campo de ataque. Menos corpos atrás. Abrir aquele espaço e começar um xadrez de contra-ataque.
Ele já havia feito isso aos 52 minutos, escalando 10 homens à frente e deixando alguns atrás para o trabalho de finalização. A bola caiu numa zona vazia e a torcida comemorou.
Desta vez o escanteio voou para aquele vazio numa tarde úmida e ventosa — e a bola entrou nas costas de Penders.
Ele havia chegado naquele verão depois de o Chelsea pagar sua multa rescisória no Aston Villa — o detalhe mais estranho sendo que o homem que acena nos escanteios tinha uma cláusula. Ele caminhou pensativo pela beira do campo depois, queixo na mão.
Era, com justiça, um erro de goleiro. Embora não totalmente aleatório: Penders é um bom jogador de bola nos pés, ex-zagueiro no Strasbourg, e nunca foi feito para atuar sem proteção, na chuva e com a bola encharcada.
A jogada ao menos abriu o jogo. Minutos depois Cole Palmer levou o segundo amarelo após falta em Conor Gallagher; aos 87 minutos, Mathys Tel arrancou e soltou uma bomba rasteira por dentro do primeiro poste, o que fez Roberto De Zerbi invadir o gramado num salto estranho e curvado.
Antes disso tinha sido futebol de sistema, uma batalha tática sem graça: uma pressão oferecida sem nada para pressionar, gente parada.
O Chelsea foi mal. Talvez estruturalmente — anos de gastos desenfreados deixaram uma casa de negócios veloz, com caras entrando e saindo. Sem João Pedro, não havia ponto de referência, e Danny Welbeck não saiu do banco.
Xabi Alonso usou Palmer e Morgan Rogers como dez fantasma e noves inexistentes. A liberdade, neste caso, pareceu ficar parada na chuva sem saber para onde correr.
O Spurs, em contraste, foi bem: autorizado a dominar a bola, com Mateus Fernandes excelente mais atrás, teve sua melhor tarde da temporada. De Zerbi amou cada momento.
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