Sufoco contra o Atlético-MG cobra explicações de Jardim, não só aplausos
O Flamengo venceu o Atlético-MG por 3 a 2 e voltou à liderança com 70 pontos, mas o sufoco até os acréscimos cobra explicações de Leonardo Jardim sobre a facilidade com que o time cede espaços e expõe resultados.
Se Leonardo Jardim quer receber crédito pela vitória do Flamengo sobre o Atlético-MG, precisa também assumir a parte que lhe cabe no sufoco. Um jogo que o time dominava virou drama até os acréscimos, e isso não se explica apenas por acaso.
O 3 a 2 sobre o Atlético-MG devolveu ao Flamengo a liderança do Brasileirão, mas repetiu uma contradição incômoda: sobra elenco para controlar partidas, mas a equipe ainda depende demais de lampejos individuais para sobreviver às próprias falhas coletivas.
Sofrer gols faz parte do jogo. O problema está na facilidade com que o adversário encontra espaços e ameaça um resultado que parecia encaminhado. O Atlético-MG marcou duas vezes, com Bernard e Renan Lodi, e seguiu pressionando até o apito final.
Jardim não controla cada passo dentro de campo, mas é dele a tarefa de organizar, corrigir posicionamentos e montar proteções para a defesa. Quando essas respostas não vêm, a cobrança sobre o treinador é natural — não se trata de exigir que ele impeça todo erro individual, e sim de reduzir a exposição do time.
Espaço cedido nas transições e dificuldade para acompanhar os movimentos do adversário não são apenas erro de execução: também apontam para escolhas de quem organiza o conjunto.
A reação veio com Plata, Arrascaeta e Carrascal, que converteu o pênalti da vitória nos acréscimos. Reconhecer a capacidade de reagir é justo, mas há diferença entre mostrar força ofensiva e sustentar um modelo consistente: a primeira decide uma partida, o segundo sustenta uma campanha de título.
Com 70 pontos, o Flamengo voltou à ponta em um momento decisivo — um a mais que o Palmeiras. A tabela, porém, não deve servir de escudo. Quanto menor a margem de erro, maior a urgência de corrigir o que coloca resultados em risco.
Espera-se de Jardim respostas táticas, melhor ocupação dos espaços e um time capaz de controlar partidas sem que cada vantagem vire uma nova ameaça. Não é exigir perfeição: é cobrar coerência entre o que o elenco oferece e o que a equipe entrega em campo.
O Flamengo ganhou porque tinha talento para reagir e teimosia suficiente para buscar o gol. Jardim precisa mostrar que oferece mais do que soluções depois que o problema já está instalado. A liderança vale muito na briga pelo título, mas não converte sufoco em virtude, nem ocupa o lugar do trabalho que falta.
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