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02/11/2026 · Edição BrasilPTEN
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Duplistas criticam reforma da ATP em carta assinada por mais de 150 tenistas

Mais de 150 tenistas assinaram uma carta aberta à ATP contra a reforma das duplas, que prevê reduzir as chaves e a premiação. Os signatários apontam a transferência de cerca de US$ 20 milhões para as chaves de simples, e o tema entra na pauta da reunião de fim de temporada, em Turim.

Por RedaçãoPublicado: 27/10/2026, 10:15

Mais de 150 tenistas e ex-tenistas que atuam nas duplas subscreveram uma carta aberta endereçada à ATP (Associação de Tenistas Profissionais). O documento, divulgado na segunda-feira, pede que a entidade repense a reforma planejada para a modalidade no Circuito Mundial masculino: os signatários contestam a proposta de encolher as chaves e reduzir as premiações desses torneios. A ATP sustenta que procura um modelo capaz de se sustentar financeiramente no longo prazo.

“A ATP existe para servir a todos os tenistas profissionais. Tênis é mais do que um negócio. É um legado mundial construído sobre a alegria, a saúde e o espírito esportivo. Um legado como esse deveria abrir portas, não as fechar. Não nos opomos a uma reforma, queremos ajudar a moldá-la. Qualquer mudança deve fortalecer o esporte como um todo, não enfraquecer uma parte essencial dele. É por isso que pedimos ao Conselho Executivo da ATP para reconsiderar as reduções propostas e trabalhar conosco para melhorar o futuro dos duplistas profissionais”, afirma a carta.

Sete brasileiros figuram entre os signatários: Rafael Matos, Orlando Luz, Marcelo Melo, Marcelo Demoliner, Fernando Romboli, Marcelo Zormann e Bruno Oliveira. Ao todo, vinte federações nacionais apoiaram o texto, entre elas a Confederação Brasileira de Tênis (CBT). O pedido é por equilíbrio maior entre os interesses comerciais e o compromisso da ATP com o legado do tênis.

Segundo os duplistas, o plano atual transferiria para as chaves de simples cerca de US$ 20 milhões em premiação — mais de R$ 108 milhões —, ao mesmo tempo em que suprimiria um volume expressivo de vagas profissionais para quem vive da modalidade. Para eles, ficaria bem mais difícil a um jogador talentoso construir e sustentar uma carreira na especialidade. Argumentam ainda que um esporte profissional saudável não pode se apoiar apenas em um punhado de grandes estrelas: é preciso oferecer caminhos para que os atletas se desenvolvam, competam e ganhem a vida.

A reunião de fim de temporada da ATP acontece em Turim, durante o ATP Finals, de 15 a 22 de novembro, e a reforma das duplas deve entrar na pauta. O Conselho Executivo da entidade reúne Andrea Gaudenzi, que preside a ATP, além de quatro representantes dos tenistas e de quatro representantes dos organizadores de torneios. Já o tênis feminino profissional é administrado pela WTA (Associação Feminina de Tenistas) e fica fora da reforma.

Anunciada em julho, durante Wimbledon, a reforma prevê cortar pela metade as chaves de duplas nos Masters 1.000, que passariam a ter 16 parcerias. Nos ATP 500 e ATP 250, seriam apenas oito duplas caso o projeto avance. Chaves de Grand Slam e de Jogos Olímpicos não seriam afetadas. Hoje os duplistas ficam com algo em torno de 20% da premiação dos torneios; com a proposta, esse percentual pode recuar para 10%.

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