Arsenal fora do top-10 e o peso da Copa: as três maiores injustiças da Bola de Ouro
A Bola de Ouro de 2026 deixou o Arsenal fora do top-10 mesmo depois do título inglês: Gabriel Magalhães terminou em 21º e Declan Rice em 15º. O texto aponta ainda as distorções que o Mundial provoca na votação.

A Bola de Ouro nem sempre funciona como retrato exato da temporada: o que o campo entregou não cabe necessariamente na votação. Em 2026, com uma Copa do Mundo no calendário — torneio de um mês e oito jogos —, esse descompasso tende a crescer. Três casos chamam atenção.
Primeiro caso: o Arsenal. O clube londrino pôs fim a um jejum de 22 anos e voltou a ganhar a Premier League; além disso, chegou à decisão da Champions League pela segunda vez em mais de um século de história. Mesmo assim, nenhum atleta dirigido por Mikel Arteta apareceu entre os 10 melhores do mundo.
É verdade que as temporadas abaixo do esperado de Martin Odegaard e Bukayo Saka — nomes ofensivos, posição que costuma ser mais prestigiada nesse tipo de votação — explicam em parte o apagão. Só que Gabriel Magalhães terminou em 21º e Declan Rice em 15º: ao menos um dos dois deveria ter figurado no top-10.
Já Rodri e Lionel Messi entraram no grupo dos 10 muito por causa de um único mês, o do Mundial.
Segundo caso: Julián Quiñones, 28º. O mexicano brilhou no torneio, com quatro gols marcados e uma assistência, e levou o anfitrião às quartas de final. O problema é o contexto: ele defende o Al-Qadsiah, da Arábia Saudita, onde não levantou taça alguma, e o futebol praticado por lá recebe avaliação inferior à das cinco principais ligas do continente.
Na mesma prateleira aparece Sadio Mané, do Al-Nassr, 29º: foi menos decisivo que o mexicano, mas conquistou a Copa Africana de Nações — com a taça atribuída ao Marrocos por decisão na Justiça — e o Campeonato Saudita, além de ter oscilado com Senegal no Mundial.
Terceiro caso: Ferran Torres, 16º. O espanhol alternou banco e titularidade no Barcelona ao longo do ano, mas fechou a temporada com um gol na decisão do Mundial — e virou herói depois de ser um atleta comum. Ele, porém, nunca foi dono da posição na Espanha: foi titular em apenas um jogo da campanha.
Fora dos 30 nomes ficou Federico Dimarco, eleito o melhor jogador da última Serie A. E há uma inversão curiosa no gol: o arqueiro que ganhou o Mundial não terminou o ano como o melhor da posição. Unai Simón sofreu um gol em toda a campanha, passou sete partidas sem ser vazado, mas foi pouco exigido — sem nenhuma defesa memorável no título —, aparecendo mais nas saídas de bola e nas antecipações. Ironicamente, seu reserva na Espanha teve um ano superior: David Raya, no Arsenal campeão inglês, com intervenções decisivas e participação central tanto no título quanto no vice europeu.
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