Coreia do Sul na encruzilhada com a posição do capitão e rachas no elenco
A Coreia do Sul chega à Copa da Ásia com o capitão Son Heung-min, 34, sob escrutínio e um elenco dividido, menos de 18 meses depois de ele erguer a Europa League pelo Tottenham. A eliminação na fase de grupos da Copa do Mundo de 2026 foi seguida de boicote da imprensa, queda do técnico e do presidente da federação e buscas da polícia.

A Coreia do Sul chega à Copa da Ásia com o capitão sob escrutínio, um elenco fraturado e nenhuma liderança permanente, menos de 18 meses depois de Son Heung-min erguer o troféu da Europa League como capitão do Tottenham.
O ponto de ruptura veio em 21 de outubro, quando o político Jeong Yeon-wook questionou o presidente interino da Associação de Futebol da Coreia, Lee Yong-soo, em uma comissão parlamentar: “Dizem que recentemente, dentro do elenco da seleção, os jogadores têm se referido a ele não pelo nome, mas como ‘número 7’ ou ‘aquela pessoa’. O senhor sabe quem é?” Informado de que a pergunta se referia a Son, o político disse que os relatos pareciam verdadeiros e que a liderança da equipe estava causando discórdia. Lee se recusou a comentar.
Desde então, o quadro só piorou. Uma eliminação na fase de grupos da Copa do Mundo de 2026 foi seguida de um boicote da imprensa, provocado por repórteres não identificados que zombaram da falta de serviço militar dele, e ele ficou no banco na última partida da fase de grupos, uma derrota deprimente para a África do Sul. O técnico Hong Myung-bo e o presidente da KFA, Chung Mong-gyu, deixaram os cargos na sequência, ambos foram ouvidos por parlamentares, e a polícia fez buscas na sede da federação.
Divisões entre jogadores mais velhos e mais jovens são comuns no futebol, mas a hierarquia coreana as torna incomumente rígidas: um colega apenas um ano mais velho é tratado com deferência — um problema que Guus Hiddink tentou quebrar em 2001 ao fazer os jogadores comerem juntos.
A ruptura atual parece mais séria do que a briga de 2024 na Copa da Ásia por causa de tênis de mesa, que deixou Son com um dedo deslocado após uma altercação com jogadores mais jovens, incluindo Lee Kang-in. Segundo vários relatos, o grupo nascido em 1996 está insatisfeito: Kim Min-jae, do Bayern de Munique, Hwang In-beom, do Porto, e Hwang Hee-chan, do Schalke, queriam um recomeço depois da Copa do Mundo, com um novo capitão e um novo técnico.
Em vez disso, a equipe está em limbo. Robert Moreno foi nomeado técnico interino em setembro até o fim de novembro, e a federação não tem presidente. A Copa da Ásia, troféu que a Coreia não levanta desde 1960, está a poucas semanas de distância.
“Estou cansado física e mentalmente”, disse Hwang In-beom após o empate sem gols com a Venezuela em 2 de outubro, acrescentando que em cerca de nove anos com a seleção muitas coisas ainda precisavam mudar e não estavam mudando. Kim Min-jae reclamou que nem todos estavam dando o seu melhor e disse sentir pelos defensores.
Relatos do fim daquela janela diziam que os três estavam à beira de deixar a seleção até que um dirigente da KFA os convenceu a ficar; a associação não negou.
Os torcedores se cansaram de comentários oblíquos e de ninguém declarar publicamente quais são os problemas. Son segue popular em casa apesar de ter deixado o país ainda adolescente, embora sua relação com a imprensa difira da dos colegas, e alguns fãs suspeitam que os repórteres estejam acertando contas pelo boicote à Copa do Mundo.
Aos 34 anos, ele já não é um atacante de elite, mesmo que os momentos permaneçam: sua falta contra o Uzbequistão em 6 de outubro rendeu o 59º gol pela seleção, o maior de qualquer sul-coreano. Se ele deveria sequer ser titular agora é uma pergunta em aberto, e não mais impensável.
Diferentemente de Ronaldo, Son parece improvável de insistir até o fim amargo ou de emitir declarações longas. A Copa do Mundo de 2030 é um exagero, mas levar a Coreia à Copa da Ásia, prevista para começar em 7 de janeiro, seria um bom legado — e o torneio ainda pode ser empurrado para 2028 por causa dos ataques houthis à Arábia Saudita, o que pode dar a um elenco dividido tempo para se curar, ou piorar as coisas.
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