Nobels conta como era a rotina na Academia da Ferrari que formou Câmara
Nobels contou como era a rotina na Academia da Ferrari, com dois treinos por dia em Maranello, entre 2022 e 2025. Ela persegue a Fórmula 1, como Rafael Câmara, e corre na GB3 desde que deixou o programa italiano.

Fora do programa de jovens pilotos da Ferrari desde o fim do ano passado, Aurelia Nobels persegue o mesmo objetivo que Rafael Câmara acaba de alcançar: chegar à Fórmula 1. O caminho do compatriota, que garantiu a vaga de titular da Haas para a próxima temporada, passou pela rotina que os dois dividiram em Maranello.
“Eu estava junto com ele na Academia, a gente fazia todos os treinos. Tínhamos alguns ‘camps’, que eram dias de treino intensos nos quais a gente estava juntos.”
Segundo ela, o programa era exclusivo da Ferrari e previa dois treinos por dia. “A gente tinha um programa só com a Ferrari, que eram dois treinos por dia. Então, na parte da manhã, a gente focava muito em musculação. Basicamente treinar pescoço porque, devido à Força G, a gente precisa ter um pescoço forte para aguentar. Braços também, pernas para o freio. De tarde, a gente focava mais no cardio.”
Para Nobels, o preparo físico somado à velocidade pura explica a vaga de Câmara na Haas. O apoio da própria Ferrari também pesou: ele continua na Academia italiana enquanto corre pela equipe norte-americana.
A convivência com o compatriota vem do kart. “É muito bom ver mais um brasileiro na Fórmula 1 representando nosso país. Eu conheço o Rafa faz muito tempo, desde o kart ele sempre teve muito talento.”
Nobels integrou a Academia da Ferrari entre dezembro de 2022 e dezembro de 2025; Câmara está no programa desde o fim de 2021. Ela entrou depois de vencer o FIA Girls on Track - Rising Stars, iniciativa da própria FIA ao lado da escuderia de Maranello.
Como membro da academia, ela competiu nos principais campeonatos de Fórmula 4 e também na F1 Academy, categoria dedicada exclusivamente a mulheres que buscam a Fórmula 1. Desde que deixou a Itália, corre na GB3, o campeonato britânico de Fórmula 3.
A comparação entre as categorias aparece na avaliação técnica dela. “Quando eu estava correndo na F4 Italiana, eu tinha mais dificuldade nas curvas rápidas, que pegavam bastante o pescoço. Hoje na GB3, que é um carro mais pesado e mais rápido, eu não tenho nenhuma dificuldade, graças ao treino.”
O primeiro ano na GB3 foi resumido por ela em uma palavra, adaptação. A experiência em um carro mais veloz e em pistas novas tem servido de aprendizado, e o plano é permanecer na categoria britânica em 2027 antes de tentar a Fórmula 3 em 2028.
“Em 2028, eu quero ir para a Fórmula 3 e ser a primeira brasileira.” Ela lembra que não há mulheres na F3, na F2 nem na F1 hoje, e que o foco é chegar à categoria máxima e abrir portas para as pilotos novas vencerem.
A passagem pela Ferrari também rendeu contato com nomes da equipe principal: Lewis Hamilton e Charles Leclerc estiveram com os jovens do programa, e a brasileira guarda as conversas. “Eu falei com o Hamilton sobre o Brasil, ele me disse o quanto ama aqui.”
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