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05/11/2026 · Edição BrasilPTEN
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Federação de ginástica quer IA substituindo juízes em Los Angeles 2028

A World Gymnastics negocia com a Fujitsu uma ferramenta de inteligência artificial para ajudar na arbitragem. No futuro, ela poderia substituir os juízes em Los Angeles 2028, e o sistema já reconstrói as séries em três dimensões.

Por RedaçãoPublicado: 05/11/2026, 00:53

A World Gymnastics negocia a estreia, nas Olimpíadas de Los Angeles 2028, de uma ferramenta de inteligência artificial capaz de ver erros que escapam ao olho humano. O presidente da entidade, Morinari Watanabe, disse ao The Athletic que a ferramenta começaria como auxílio aos árbitros, mas depois poderia tirar a decisão das mãos — e dos olhos — humanas.

“Nosso sonho é não ter juízes, apenas computadores e IA atribuindo notas. Devemos ser justos com todos. Não quero erros ou julgamentos equivocados”, afirmou.

Questionado se o objetivo é realmente dispensar os humanos, ele riu: “Se eu me livrasse dos juízes, eles me matariam”. A entrevista foi feita no Mundial de Roterdã, em outubro, onde Rebeca Andrade faturou o tricampeonato do salto e Flávia Saraiva levou o bronze na trave de volta ao país.

O mecanismo, chamado Sistema de Suporte ao Julgamento, é da japonesa Fujitsu. Foi testado no Mundial de 2019 e chegou a todos os dez aparelhos em 2023. Usa quatro câmeras na maioria dos aparelhos e oito no solo, reconstruindo as séries em três dimensões; a imagem pode ser pausada, girada e examinada de ângulos que os juízes não têm, com cálculo de ângulos e reconhecimento de elementos. A análise fica pronta entre 10 e 15 segundos depois da apresentação.

“A ginástica é um esporte maravilhoso, mas quando os espectadores veem uma nota, nem sempre entendem como os juízes chegaram a ela. Esse é um grande problema”, disse Watanabe, membro do COI e da comissão de coordenação de LA 2028.

Ele citou casos que ficaram em debate: em Atenas 2004, o sul-coreano Yang Tae-young recebeu nota de partida incorreta nas paralelas, afetando a disputa por medalhas no individual geral; em Paris 2024, o bronze de Jordan Chiles no solo terminou em uma longa batalha judicial por causa do prazo de um recurso.

Nem todos veem a substituição com bons olhos. Willem Standaert, da Universidade de Liège, coautor de um estudo publicado em 2022 sobre o tema, afirma que trocar os humanos por máquinas seria o “colapso da pirâmide”. “Um juiz humano olharia para a série e diria: ‘Esta perna estava esticada’. A IA pode olhar e dizer: ‘Bem, na verdade ela está a 179 graus’. O nível de exatidão é exato demais para os humanos”, observou.

Para ele, movimentos novos podem ser ignorados pela ferramenta se ela não tiver sido treinada para reconhecê-los, e características como interpretação musical e coreografia não se reduzem a números. A árbitra austríaca Johanna Gratt, que usou o sistema em Roterdã, reconhece a ajuda em casos difíceis, mas diz que há situações em que a intervenção humana é necessária para corrigir a análise — e que o mecanismo seguirá como assistente.

Um estudo de novembro comparou a ferramenta da Fujitsu a equipamentos de laboratório para captura de movimento: os resultados foram consistentes, mas não idênticos, com o sistema medindo ângulos de abertura, em média, 1,1 grau a mais. Standaert também alerta que uma ferramenta treinada com biotipos específicos pode render diferente quando avalia atletas com estatura, proporções ou tom de pele distintos — a Fujitsu contesta: garante que os cálculos seguem as regras do esporte e que os dados vieram de competições internacionais de vários anos, com atletas de características físicas, cores de pele e uniformes diferentes.

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