Ir para o conteúdo principal
05/11/2026 · Edição BrasilPTEN
PadrãoL1Automobilismo

Esteban Ocon é dispensado — é o fim da carreira dele na F1?

Esteban Ocon perdeu o lugar na Haas para o restante da temporada depois de um desentendimento com a equipe no México. O francês de 30 anos fica sem corrida na F1 e agora busca reconstruir a carreira como piloto reserva.

Por RedaçãoPublicado: 05/11/2026, 10:13

Esteban Ocon não é mais piloto de corrida da Fórmula 1 — pelo menos por agora. Um desentendimento com a Haas custou ao francês o assento até o fim da temporada, em um ano em que ele já deixava a equipe.

Ocon, 30 anos, tinha pouca perspectiva de outro assento para a próxima temporada. A acrimônia no México no último fim de semana apenas antecipou a saída em algumas corridas. Ele agora enfrenta um ano fora das pistas, com o objetivo de se reconstruir como piloto reserva.

Não é a primeira vez: em 2019, perdeu o lugar na Force India quando Lawrence Stroll comprou a equipe e colocou o filho Lance no carro. Desta vez parece mais definitivo. Uma década após entrar na F1, Ocon é conhecido tanto pela postura quanto pelo ritmo — por brigar com equipes e companheiros —, e uma nova geração, liderada por Kimi Antonelli, está chegando.

O gatilho na Haas foi uma discussão com o chefe de equipe, Ayao Komatsu, após o treino livre de sexta no México. O que aconteceu é desconhecido; ninguém fala, nem em off, e há advogados envolvidos. Sabe-se que Ocon protestou pelo rádio quando a engenheira Laura Mueller avisou que a simulação de corrida passaria dos macios para os médios: “Não, não. Eu queria o macio. Não faça isso comigo. Vamos.”

A discussão continuou depois da sessão. A equipe anunciou na manhã de sábado que ele estava fora. Horas depois, Ocon admitiu em nota “uma diferença de pontos de vista que levou a uma discussão com as partes envolvidas”, mas “rejeitava categoricamente quaisquer relatos ou alegações sugerindo que qualquer forma de violência física tenha sido usada para resolver diferenças”. A nota veio após o L'Équipe relatar que um encontro entre os dois “terminou abruptamente, talvez até fisicamente”. Na terça à noite, a Haas confirmou que ele não correria mais pela equipe.

A Haas já havia perdido a paciência antes do México, mas o que aconteceu lá convenceu Komatsu a cortar o laço na hora. A decadência ecoa capítulos anteriores: Bearman o superou em duas temporadas, como Gasly havia feito, Alonso antes dele na Alpine e Ricciardo na Renault.

A decisão da Haas de contratá-lo surpreendeu muitos; Komatsu achava que faria funcionar. Em vez disso, a equipe viu um padrão: sob pressão, ele ficava defensivo, culpava o carro e a equipe e assumia pouca responsabilidade. Também houve atritos com Bearman: no treino de Mônaco, o companheiro o chamou de “idiota” pelo rádio, e eles se tocaram no fim do GP da Grã-Bretanha do ano passado.

Ele e Gasly, amigos na infância antes de um rompimento há quase 20 anos, se chocaram duas vezes na Alpine, e Ocon foi dispensado uma corrida antes do fim. Alonso não escondeu o desagrado, e na Force India ele brigou com Sergio Perez na pista e no rádio.

Um episódio revelador veio no classificatório molhado no Canadá, em 2022, quando Alonso pôs a Alpine na primeira fila e foi 1,6 segundo mais rápido que o companheiro. Ocon, dizem fontes internas, recusou-se a aceitar e insistiu que o carro tinha defeito, por várias corridas. A equipe checou e não encontrou nada.

Júnior da Mercedes que foi reserva da equipe em 2019, Ocon agora olha para a mesma equipe em busca de um caminho de volta. Foi a Mercedes que o ajudou a voltar na Renault em 2020, rebatizada Alpine um ano depois.

A única vitória dele, no GP da Hungria de 2021, deveu muito à sorte: a largada molhada provocou um engavetamento que tirou Bottas e os dois Red Bulls, e no reinício todos menos Hamilton trocaram para slicks. Hamilton parou de novo e caiu para o fundo. Ocon liderava à frente da Aston Martin de Sebastian Vettel e, quando o britânico reagiu, Alonso o segurou por 10 voltas antes da ultrapassagem sair a cinco do fim.

Ocon e Alonso comemoraram juntos naquele dia. Pouco mais de um ano depois, após um choque no GP do Brasil de 2022, Alonso o chamou de “nosso amigo” no rádio e, questionado se limparia o clima, respondeu: “Não preciso. Mais uma corrida. Depois acabou, finalmente.” Agora acabou também na Haas, e achar o caminho de volta não será fácil.

Perguntas frequentes

Leia também

PadrãoAutomobilismo

Quem são os escudeiros que coordenam a rotina de Bortoleto na F1

A rotina de Gabriel Bortoleto na F1 é cronometrada dentro e fora da pista. O preparador físico Paolo Gargiulo e a assessora Elena Rovelli, dois italianos, o acompanham em praticamente todos os momentos importantes do fim de semana.

Redação
PadrãoAutomobilismo

Hamilton compara tensão com Leclerc à rivalidade com Rosberg

Lewis Hamilton disse que a tensão com Charles Leclerc na Ferrari é bem menor do que a que viveu com Nico Rosberg na Mercedes. O britânico chamou de “desnecessária” a manobra do companheiro na primeira volta do GP do México.

Redação
PadrãoAutomobilismo

Toto Wolff conta o momento em que a saída de Hamilton decidiu o futuro de Antonelli

Toto Wolff contou que decidiu promover Kimi Antonelli ao carro da Mercedes no mesmo dia em que Lewis Hamilton confirmou a saída para a Ferrari. O dirigente disse que nunca viu a aposta no italiano como um risco.

Redação
PadrãoAutomobilismo

Jorge Martin é liberado para treinar no GP do Catar

Jorge Martin foi liberado para correr o primeiro treino livre do GP do Catar, mantendo viva a chance de lutar pelo título da MotoGP. O espanhol fraturou o punho na Austrália e chega a Losail 44 pontos atrás de Marc Marquez.

Redação
PadrãoAutomobilismo

Rafael Câmara tem estreia na F1 antecipada e vai correr no GP São Paulo

Rafael Câmara vai estrear na F1 já no GP São Paulo, antes do previsto, no lugar de Esteban Ocon na Haas. Com ele e Gabriel Bortoleto no grid, o Brasil volta a ter dois pilotos em uma mesma prova desde 2016.

Redação
PadrãoAutomobilismo

Mercedes assume culpa pelo mau GP do México de Russell: “Deixamos ele na mão”

Toto Wolff admitiu que a Mercedes “deixou George Russell na mão” no GP do México, quando uma falha técnica arruinou a chance de vitória do britânico. Ele terminou fora do pódio e foi dispensado das entrevistas, o que rendeu multa da FIA.

Redação
PadrãoAutomobilismo

Donos do Liverpool surgem como potenciais compradores de ações da Cadillac na F1

A Fenway Sports Group, dona do Liverpool, está entre os interessados em comprar parte das ações da Cadillac na Fórmula 1, segundo o Washington Post. Mark Walter quer vender uma fatia da equipe, avaliada em cerca de US$ 3 bilhões.

Redação
PadrãoAutomobilismo

Quem são os jovens talentos brasileiros que tentam chegar à Fórmula 1

Nove jovens brasileiros correm nas categorias de formação da Europa tentando chegar à Fórmula 1. A Fórmula 3 concentra a maior colônia, com Gabriel Gomez, Fefo Barrichello e Pedro Clerot já garantidos no grid e Heitor Dall'Agnol em busca de vaga.

Redação
CompartilharWhatsAppXFacebook