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Newey hits back at Horner and points to Renault's lack of answers behind the “pain and frustration”

Adrian Newey has contested Christian Horner's account of 2014 and pointed to Renault's lack of answers as the source of the “pain and frustration” at Red Bull. He was reacting to Horner's book Drive, which says the designer wanted to “abandon the ship”. Newey accepts a bad engine year, but not the absence of a response.

By RedaçãoPublished: 10/23/2026, 20:33

Full text available in Portuguese only. Read the Portuguese version

Adrian Newey contestou a versão de Christian Horner sobre o que viveu na Red Bull em 2014 e deslocou o eixo da explicação. Para o projetista, a insatisfação daquele período não veio apenas do motor Renault abaixo da Mercedes, mas da ausência de respostas do fornecedor aos problemas da unidade de potência — o que deixou a equipe em desvantagem.

A reação vem depois de Horner usar a própria autobiografia para afirmar que o projetista quis “abandonar o navio” assim que a era dos motores V6 híbridos começou a pesar. O livro se chama Drive, e as declarações saíram no jornal The Times.

Newey, hoje chefe de equipe na Aston Martin, não discute o ano ruim: discute a leitura. Ele reconhece que um fabricante de motores pode atravessar uma temporada difícil depois de uma mudança grande de regulamento, e que isso é aceitável. O cenário muda quando não aparece sinal de reação concreta.

“Em 2014, como projetista de chassis, se o fabricante da unidade de potência tem um ano ruim, isso acontece, e você aceita. Porém, se o fabricante tem um ano ruim e não parece ter nenhuma intenção de tentar resolver o problema, a situação é completamente diferente. Nesse momento, o cenário se torna bastante desanimador”, explicou Newey.

“Infelizmente, foi essa a situação que enfrentei em 2014. Na prática, isso não mudou de verdade com aquele fornecedor até trocarmos para a Honda, em 2019. Portanto, você pode imaginar minha dor e frustração com tudo isso. Acho que Christian talvez não tenha compreendido totalmente essa situação”, acrescentou.

Newey confirmou que houve conversas sobre o assunto naquele período, sem detalhar o conteúdo. O sentido do incômodo, porém, é claro: seguir adiante com uma unidade de potência que não entregava a evolução esperada.

Os números ajudam a medir o problema. A Red Bull fechou aquele Mundial de Construtores na segunda colocação, com 405 pontos — quase 300 atrás da Mercedes, que venceu 16 corridas contra apenas três do time de Milton Keynes.

O desgaste com a Renault não parou ali: vieram temporadas de confiabilidade ruim e desempenho aquém do esperado, com falhas inclusive no MGU-K, componente que recupera energia cinética. A parceria só foi encerrada depois de 2018, e em 2019 a Red Bull passou a usar motores Honda. Antes disso, a dupla havia rendido quatro títulos seguidos — de pilotos e de construtores — nas temporadas de 2010 a 2013.

Do outro lado, a versão de Horner descreve uma quebra de confiança. Em entrevista ao jornal, o dirigente disse ter ficado decepcionado com a postura do projetista diante das primeiras adversidades.

“Diante do primeiro sinal de dificuldade, Adrian quis abandonar o navio. Fiquei muito triste com isso. Já não podia contar com ele da mesma maneira. Nossa parceria não era tão sólida quanto eu acreditava anteriormente”, declarou Horner.

O dirigente contou ainda que a mudança de Newey para a Aston Martin o pegou de surpresa. Ao deixar Milton Keynes, o projetista abraçou o projeto da equipe britânica, onde hoje responde como chefe de equipe.

Perguntado se o assunto havia sido tratado entre os dois, Newey preferiu não entrar em detalhes. Também disse que ainda não tinha lido a obra.

“Sobre o restante, realmente não posso comentar. Mas Christian e eu continuamos amigos e, como muitos de vocês sabem, sou padrinho de sua filha Olivia”, concluiu Newey.

As duas versões seguem distantes. Newey fez questão de separar o resto: o desentendimento profissional não levou junto a amizade entre os dois.

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