Phillip Island se despede: pilotos da MotoGP lamentam a perda de um favorito
Phillip Island recebe neste fim de semana a 30ª e última prova do Mundial de Motovelocidade, que em 2027 vai para Adelaide; Jack Miller, Acosta e Marquez lamentaram o adeus.

Phillip Island recebe neste fim de semana sua 30ª — e última — prova do Mundial de Motovelocidade, e os pilotos têm dificuldade de aceitar que a MotoGP não voltará.
O traçado de 4,4 km à beira-mar, ao sul de Melbourne, valorizado pela velocidade, pelas constantes mudanças de elevação e pelo caráter de outra época, dá lugar no ano que vem a um circuito de rua reconstruído em Adelaide. A ilha recebeu seu primeiro GP da Austrália em 1989 e é sede permanente desde 1997, quando substituiu Eastern Creek.
Jack Miller, da Pramac, único australiano do grid, disse que a emoção está à flor da pele. Chamou a pista de "provavelmente uma das mais icônicas do calendário", um lugar que entregou "algumas das melhores corridas que já vimos na MotoGP".
A dificuldade, explicou, é que o piloto nunca pode relaxar.
— Você nunca consegue atacar de verdade. Você fica o tempo todo meio que brincando com a moto — disse, citando os tremores, os empinamentos e o vento.
Miller esperava uma despedida seca depois de dois anos de clima difícil, mas previa o contrário: — Phillip Island está se despedindo à altura, com condições que mudam o tempo todo.
Pedro Acosta, piloto da KTM, colocou o circuito ao lado de Mugello e Jerez.
— Uma das melhores atmosferas de todo o calendário, os torcedores ficam muito perto da gente — disse. — Vai ser muito triste que no ano que vem não venhamos aqui.
Marc Marquez, duas vezes vencedor na Austrália, chamou-a de favorita pessoal, mas exigente.
— É uma pista muito rápida e muito estreita, onde, se você cai, está na brita num instante — disse, comparando o respeito saudável que ela impõe ao de Assen.
O rival na disputa pelo título, Jorge Martin, sentirá falta da pista e do entorno, onde os pilotos ficam em casas alugadas entre animais silvestres: — Tenho certeza de que vou sentir falta de Phillip Island nos próximos anos. Talvez a gente volte no futuro...
Luca Marini, da Honda, lembrou das corridas mais do que dos próprios resultados — nunca subiu ao pódio ali e torcia por chuva.
— Em alguns anos, foi talvez a corrida mais bonita do ano — disse, acrescentando que o troféu é um daqueles "que só se conquista aqui".
Marco Bezzecchi, da Aprilia, recordou a prova do ano passado como "fantástica", o dia em que subiu pela primeira vez ao pódio na MotoGP.
Instalações envelhecidas e pouca oferta de hospedagem alimentaram dúvidas por anos, e o governo da Austrália do Sul fechou o acordo que tira a etapa de Victoria. Desde então, os pilotos suavizaram a resistência a Adelaide, depois de as preocupações com segurança serem atenuadas por um vídeo gerado por inteligência artificial com uma volta embarcada.
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