FIA cria artigo F6 para separar a F1 das divisões externas das equipes
A FIA introduziu o artigo F6 no regulamento operacional, que obriga as equipes de F1 a separar fisicamente e digitalmente sua operação na categoria a partir de 2027.

A partir de 2027, as equipes de Fórmula 1 terão de separar fisicamente e digitalmente sua operação na categoria de qualquer outra atividade que mantenham. É o que estabelece o artigo F6, recém-introduzido pela FIA no regulamento operacional da categoria.
Intitulado “Separação Física e de TI entre Atividades de F1 e Atividades Não Relacionadas à F1”, o texto nasce de uma desconfiança: estruturas paralelas poderiam repassar dados técnicos às escuderias, gerando ganhos indiretos fora do alcance das regras.
O pano de fundo é o teto orçamentário em vigor desde 2021. Algumas despesas ficam de fora, como o salário dos pilotos e o dos três executivos mais bem remunerados de cada equipe; o restante entra no cálculo e encarece qualquer contratação extra.
Várias equipes mantêm divisões voltadas a projetos alheios à F1 — a Red Bull tem a Advanced Technologies, a Aston Martin opera a Performance Technologies e a Mercedes conta com a Applied Sciences.
Pelos novos dispositivos, funcionários não poderão dividir espaços de trabalho e sistemas de TI livremente. O acesso a dados técnicos terá controles mais rígidos, e as equipes precisarão registrar permissões, para que a federação confira o cumprimento das normas.
Instalações compartilhadas seguem permitidas com condições: simuladores, túneis de vento e bancadas poderão atender aos dois grupos, mas não ao mesmo tempo em princípio.
A partir de 1º de janeiro de 2027, tornam-se obrigatórios registros das permissões e trilhas de auditoria digital, permitindo verificação retroativa. A FIA ganha ainda poderes explícitos para inspeções presenciais e auditorias forenses.
O texto veda o contorno por vias indiretas — aplicativos de mensagens, dispositivos externos de armazenamento, prestadores terceirizados ou intermediários.
Há assimetria deliberada no fluxo de informação. Em situações específicas, profissionais ligados à F1 poderão transmitir dados a colegas de outras divisões, desde que cumpridas condições, aprovações e documentação. O caminho inverso está barrado.
Para quem migra entre as duas áreas, o artigo prevê períodos de afastamento obrigatório, variáveis conforme o sentido da transferência, nos quais o funcionário não poderá executar certos trabalhos nem acessar dados sensíveis.
Cabe às próprias equipes implementar e manter a separação, ajustando procedimentos internos. Resta saber a dimensão da reorganização exigida de Red Bull, Aston Martin, Mercedes e outras escuderias com divisões externas.
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