Ocon propõe biturbo com dois turbos de tamanhos diferentes como saída para os motores da F1
Esteban Ocon defende um biturbo com turbos de tamanhos diferentes no lugar dos híbridos atuais, enquanto Fernando Alonso pede pragmatismo na discussão dos motores da F1.

Um biturbo, com dois turbos de tamanhos diferentes, em vez dos híbridos atuais e de um possível retorno aos V8 e aos V10: é a aposta de Esteban Ocon para os motores da F1.
O debate ganhou força nesta temporada com as críticas às unidades de potência de 2026. Nas retas, a potência despenca quando a bateria se esgota: o motor cai de algo acima de 1.000 cv para aproximadamente 550 cv. Incomoda ainda a diferença de velocidade entre os carros e o lift and coast para recuperar energia, e a FIA estuda mudar a entrega elétrica.
Hoje a força vem de um V6 turbo de 1,6 litro (cerca de 400 kW) e de um motor elétrico (350 kW). A federação eliminou o MGU-H para cortar gastos e atrair montadoras como a Audi.
Ocon deixa a Haas após dois anos, ao fim da temporada. Expôs a ideia ao discutir os próximos regulamentos e ainda quer seguir na F1 em 2027, mesmo como reserva.
Sobre o tema, ele foi direto em conversa com a imprensa:
Todos estamos pensando em V8 e V10, obviamente aspirados naturalmente
Para Ocon, os aspirados pecam pela falta de torque em baixas rotações — lacuna que a eletrificação cobre, mas que não é a única saída.
Ele explicou por que vê espaço para a tecnologia híbrida:
Com a F1 atual e a potência que temos, talvez falte um pouco de torque em baixas rotações. É aí que entra a tecnologia híbrida
Citou então os supercarros de rua, que unem ronco e eletrificação, e a hipótese de trocar a parte elétrica por dois turbos: um para baixas rotações, outro para os regimes altos.
Sobre essa alternativa, comentou:
Ou você não usa eletricidade e coloca turbos, como dois, um pequeno e um grande, para compensar o atraso de resposta em baixas rotações
Ocon reconheceu que a solução seria incomum na elite do automobilismo e acrescentou:
Em um carro de corrida, não vi muitas máquinas biturbo vencedoras, então seria bastante interessante
Fernando Alonso, da Aston Martin, foi mais cauteloso. Correu nas eras dos V8 e dos V10 antes dos turbo-híbridos e, apesar das qualidades daqueles carros, defende atenção à evolução técnica e às exigências de hoje.
Para ele, a comparação com o passado não se sustenta:
O mundo mudou. Obviamente, eram carros divertidos de pilotar, muito leves e barulhentos, mas talvez esse tipo de tecnologia não combine com o mundo atual
Sobre as trocas de motor que viveu no início da carreira, lembrou:
Quando comecei, trocávamos os motores. Tínhamos um motor para sábado, para 12 voltas na classificação, e depois outro para domingo
O bicampeão mundial defendeu pragmatismo em vez de ressuscitar regulamentos antigos:
Precisamos aceitar e nos adaptar ao mundo. Talvez os sistemas híbridos sejam o caminho. Só precisamos achar a proporção entre combustão e eletricidade
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