Sainz vê otimismo prematuro sobre Catar e Abu Dhabi e cobra cautela da F1 e da FIA
Carlos Sainz, diretor da GPDA, disse que F1 e FIA parecem convencidas cedo demais de que Catar e Abu Dhabi vão acontecer, e pediu cautela diante do cenário geopolítico.

A confiança da F1 e da FIA na realização das duas últimas etapas da temporada 2026, no Catar e em Abu Dhabi, soa prematura para Carlos Sainz. Na visão do piloto da Williams, o cenário geopolítico do Oriente Médio ainda pode mudar de forma significativa nas próximas semanas.
A federação internacional e a direção da categoria reafirmaram, nos últimos dias, que as duas provas seguem marcadas. As tensões na região, ligadas ao conflito que envolve o Irã, mantêm dúvidas sobre rotas de viagem e sobre a segurança das pessoas que trabalham na F1.
O presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, diz que a entidade mantém contato direto com promotores e governos locais e que não enviará pilotos nem funcionários a locais que considerar inseguros. Já a F1, comandada por Stefano Domenicali, segue analisando as condições de segurança ao lado das autoridades.
Sainz, diretor da GPDA (Grand Prix Drivers’ Association), cobrou cautela ao conversar com repórteres antes do GP dos Estados Unidos. Para ele, ainda há fatores políticos capazes de alterar o quadro antes de a categoria chegar a Lusail.
“Eles parecem muito convencidos de que as corridas vão acontecer”, afirmou o espanhol.
“Pessoalmente, e sem falar em nome da GPDA, é muito difícil estar convencido neste momento”, acrescentou.
O piloto também mencionou movimentos políticos nos Estados Unidos que podem mexer com o cenário no mês ou mês e meio seguinte, de forma repentina. “Considero relativamente prematuro demonstrar tanta certeza”, disse.
Mesmo com as críticas, Sainz não defendeu o cancelamento das corridas. Ele admitiu que os competidores trabalham com menos dados políticos e de segurança do que a FIA e a cúpula da F1.
“Nas condições atuais, iríamos para o Catar e Abu Dhabi”, declarou. Segundo o piloto, se a FIA e a F1 concluírem que o cenário continua seguro e adequado, os competidores precisam seguir o que as entidades determinarem.
Ele ponderou, porém, que esse crédito não elimina a necessidade de reavaliar tudo se o quadro mudar. “Precisamos seguir suas orientações e confiar no processo de decisão”, afirmou. E completou: “Mas o mundo pode mudar muito no próximo mês ou mês e meio”.
Se a FIA e a F1 optarem por cancelar uma ou as duas provas no Oriente Médio, o circuito de Imola aparece como opção para abrigar a prova que fecha a temporada. Conforme as informações disponíveis, o GP final poderia acontecer em Imola no primeiro fim de semana de dezembro.
No momento, a hipótese depende de uma mudança no calendário. As duas provas seguem previstas, e as autoridades acompanham a evolução do quadro geopolítico e os riscos de segurança.
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