Kimi Antonelli, aos 20, é campeão em espera e um raro caso de simpatia
Kimi Antonelli, aos 20 anos, soma oito vitórias e tem o primeiro título da Fórmula 1 ao alcance no seu segundo ano na categoria, com o paddock genuinamente satisfeito. Começou no kart aos cinco anos, entrou no programa de juniores da Mercedes aos 12 e estreou pela equipe de fábrica em 2025, na vaga de Lewis Hamilton.

O título ainda não é dele, mas quase todo o resto da temporada de Kimi Antonelli já parece uma coroação. Oito vitórias, um primeiro campeonato ao alcance em apenas seu segundo ano na categoria, e um paddock que parece genuinamente satisfeito com isso.
Se o italiano fecha a conta no GP dos Estados Unidos deste domingo, em Austin, na próxima etapa no México ou em algum ponto mais adiante do calendário, é detalhe. Aos 20 anos, ele seria o campeão mais jovem que a Fórmula 1 já teve, e poucos campeões chegariam com menos ressentimento atrás de si.
O que sobressai ao conversar com quem o conhece há mais tempo é que a velocidade e o temperamento não são coisas separadas. Gwen Lagrue, o olheiro que montou o programa de pilotos juniores da Mercedes, lembra do menino tanto quanto dos tempos de volta.
“Com o Kimi, eu vi quase desde o primeiro dia que estava lidando com um garoto diferente”, disse Lagrue. “Primeiro, o que me impressionou, bom, me espantou, foi a presença natural dele.”
O caminho em si foi íngreme: kart aos cinco anos, contrato de júnior com a Mercedes aos 12, depois três anos num borrão entre Fórmula 4, Fórmula Regional e Fórmula 2 antes da estreia pela equipe de fábrica em 2025 — no cockpit deixado vago por um heptacampeão, Lewis Hamilton.
Toto Wolff nunca tratou aquilo como aposta. “No passado, havia a opinião na F1 de que, para vencer, você precisava ser um babaca, precisava ser implacável e oportunista”, disse ele nesta temporada, antes de rejeitar a ideia de vez. “É simplesmente dirigir mais rápido que os outros e também ser uma boa pessoa”, acrescentou o chefe de equipe, rebatendo aquela velha premissa.
A base veio de casa. O pai, Marco, ex-piloto de carros de turismo que comanda uma equipe em San Marino, e a mãe, Veronica, foram claros de que a corrida não poderia vir em prejuízo da escola: kart no fim de semana, aulas na segunda-feira. Antonelli prestou os exames finais escolares pouco depois do primeiro pódio, terceiro lugar no Canadá no ano passado.
“Qual piloto fez o A-levels ou o bacharelado? Me cite um que tenha terminado a escola. Nenhum”, disse Wolff sobre isso.
O pai tinha razões próprias para cautela, tendo chegado perto de um cockpit de fábrica e nunca o tendo garantido; ele já disse que temia que o filho vivesse a mesma decepção. O que veio em seguida foi uma família que viajou com ele, e uma relação que Antonelli descreve em termos simples.
“Meu pai sempre vai me dar o ponto de vista dele, vai me dar conselhos, e se eu decidir ouvir, ótimo, mas se eu não decidir ouvir, tudo bem também”, disse.
O ímpeto competitivo, porém, é real, e aparece em lampejos — uma vitória na Bélgica depois de arriscar uma punição por limites de pista, uma arrancada do 19º lugar no grid até a vitória no GP da Itália. Wolff descreveu um “modo corrida” no qual o jovem consegue entrar à vontade. O relato de Lagrue sobre o trabalho técnico era de que a equipe precisou ensiná-lo a andar a 100% em vez de sempre a 110.
Fora do carro, a impressão é de alguém inteiramente à vontade. O pai, perguntado sobre ele pouco depois do aniversário de 20 anos, resumiu: “Espero que ele continue sendo quem é, doce e generoso, e que siga fazendo o que ama pelo maior tempo possível.”
O campeonato, pelas evidências, é questão de tempo. Continuar como está pode se provar a parte mais difícil.
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